terça-feira, 16 de agosto de 2011

Dona Hortência

Decidi escrever um post especial para esta Senhora muito peculiar que nos hospedou em sua casa. Acorda bem cedo e logo pela manhã já está toda maquiada, cheirosinha e arrumadinha. Tem dois cachorros, uma fêmea e um macho, a fêmea sei que o nome é Nina já o macho nem desconfio. A comida dos cachorros é distribuída da seguinte forma, primeiro o frango ou carne, depois o leite e logo em seguida uma fruta. Depois escova o pêlo dos dois. Por mais incrível que pareça a casa da D. Hortência não tem cheiro de cachorro, alias nem parece que tem cachorros.


Sua casa é muito organizada e bonita. Os cômodos que hospedam os turistas ficam em um corredor na lateral da casa, por isso às vezes em que chegamos tarde tive a certeza de que não estávamos incomodando. Nestes momentos fiquei visualizando a entrada na casa da D. Hortência com as crianças. Nossa mãe!!! Acho que seriamos convidados a nos retirar no segundo dia (risos). O banheiro era compartilhado com outro quarto. Como este quarto ficou vazio nos dias em que estivemos hospedados, posso considerar que o banheiro era privativo.


No primeiro dia D. Hortência conversou conosco sobre o governo de Fidel (Raul Castro). Afirmou que a saúde e educação são muito boas, mas se queixou de ter que pagar 120 CUC (aproximadamente 120 dólares) para o governo todo mês referente à sua licença para hospedar turistas, mesmo que não tenha hóspedes. Ora D. Hortência, imagina se a Senhora tivesse que pagar 27,5% do seu salário e ainda ter que pagar a escola das crianças, plano de saúde, pedágio em estradas, segurança da rua, enfim, deu pra entender né?


Quanto ao seu espanhol, até que eu conseguia entender. Bom, só até a 2ª marcha. Porque quando ela engatava a 5ª... putz sai de baixo... nem o Angelo entendia...


Para o padrão cubano D. Hortência até que tem alguns privilégios. Uma casa grande onde pode hospedar turistas e assim ganhar seu dinheiro, uma empregada doméstica, um carro (antigo e parado na garagem, mas é um carro) e compra flores toda semana. Ela foi casada com assessor de um militar, que morreu há cinco anos, por isso tinha algumas regalias. Ele era estrangeiro e tinha passaporte da comunidade européia e isso também era estendido a ela, que podia viajar e visitar sua irmã que morava na Espanha. Hoje, para sair de Cuba, ela precisa aguardar autorização do Governo e pagar duas taxas de aproximadamente 130 CUC cada. Essa é a parte do regime de Fidel que não concordo. Não estou me referindo à taxa, mas ao direito de ir e vir.



Na verdade D. Hortência não é diferente de muitas senhoras que conheço e reclamam de barriguinha cheia. Mas ela é um docinho e vale à pena se hospedar na casa dela. A nossa diária ficou em 30 CUC mais 4 CUC pelo desayuno (café da manhã), totalizou 190 CUC a semana toda. Nada mal né?

domingo, 14 de agosto de 2011

Hasta la Victoria Siempre


                 Sensacional!!!!!! É indescritível a sensação de estar em Santa Clara por causa de todo o contexto histórico que envolve esta cidade.


Viajamos 4 horas em uma estrada perfeita e sem buracos, mas também contribui o fato de não haver muitos caminhões em Cuba. Chegando à cidade fomos direto ao monumento. E então as pilhas da máquina acabaram... Achamos uma loja e compramos mais. Visitamos o museu com objetos, fotos e um pouco da história de Ernesto Guevara. Não podíamos entrar com máquinas fotográficas, por isso não temos fotos do interior do museu nem do mausoléu onde estão os restos mortais de Che. Essa é uma pequena vantagem que temos sobre vocês (risos). Confesso que pensei que o Angelo fosse bater continência diante do Comandante.



Santa Clara fica a 280 quilômetros de Havana, e foi a cidade da última e vitoriosa luta de Che Guevara e Fidel Castro contra os homens do ditador Fulgêncio Batista, em 1959. O triunfo de Che Guevara se deu quando ele e seus homens descarrilaram um trem blindado que transportava 408 soldados e armamentos para deter os avanços dos rebeldes. O guerrilheiro utilizou um trator para levantar os trilhos e explodi-lo com coquetel molotov. Por incrível que pareça, o trem possuía assoalho de madeira.


Bom, como tudo em nossa viagem tem acontecido com emoção, ontem quando compramos as passagens de ida não conseguimos comprar as de volta. Levando-se em consideração que só havia um ônibus de Santa Clara para Havana, já dá para imaginar a tensão. Conseguimos os dois últimos lugares do ônibus.

Um dos fatos que me chamaram muito a atenção em Cuba foi o de que as mulheres são muito ativas. Elas estão em todas as atividades, dividindo espaço de igual para igual com os homens.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Quarta feira – terceiro dia

Puta merda não agüento mais andar!!!!!!!!!

Acordei, e como de costume liguei a TV. Para minha surpresa aqui em Cuba está passando Paginas de La vida. É muito engraçado ver os atores brasileiros sendo dublados em espanhol.

O café da manhã servido pela D. Hortência é muito bom. Primeiro ela serve um pratinho com frutas cortadinhas e suco de frutas, depois pão, queijo e café c/ leite. Eu não gosto de mamão e todo dia, no pratinho de frutas, tem mamão. Não demorei muito para resolver meu problema: o Ângelo comia o meu mamão e o dele. Hoje o mamão fez efeito (risos).

Acordamos com uma indecisão: ir ou não à Santa Clara amanhã?
A viagem até lá é de 4 horas. Decidimos ir. Compramos as passagens e logo depois fomos para Habana Vieja (Havana Velha).

Pode-se dizer que Habana Vieja é onde se localizam os pontos turísticos mais bonitos em Havana. A arquitetura dos lugares, as ruas, enfim tudo é muito bonito. Conhecemos o museu do Run e bebemos uma mistura de run com suco de laranja e garapa. À primeira vista parece ruim, mas não era. Também não era gostoso.

 
Tenho que contar esta, não posso deixar passar. Angelo, do nada, vira pra mim e fala: - Duvida que eu compre 3 boinas do Che por 10 CUC? (cada uma custava 5 CUC).
- Duvido!!!!! 
Mas não é que ele conseguiu!!!!!


O drink hoje foi no La Bodeguita Del Médio. Tomei um Mojito, pois dizem que lá eles fazem o melhor do mundo.

Cuba mais parece um verdadeiro desfile de máquinas de fotografar. E não pensem que estou falando das digitais que todos nós estamos acostumados a ver. Estou falando de maquinas profissionais, com suas lentes enormes. E o melhor, você pode andar com elas nas mãos que continuará com elas nas mãos, e não será observado como um E.T.

À noite jantamos no restaurante do Hotel Habana Libre. A intenção era nos pouparmos para amanhã, pois a viagem será longa e muitas serão as emoções.

sábado, 6 de agosto de 2011

26 de Julio

CONTINUO COM AS POSTAGENS ATRASADAS E COMO DIZ O TÍTULO ESSA É DO DIA 26/07. À PROPÓSITO JÁ ESTAMOS NO BRASIL E EU INCLUSIVE JÁ VOLTEI A TRABALHAR.


O dia 26 de julho em Cuba é considerado o dia do nascimento das idéias, foi quando toda a revolução começou. O assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, foi parte de uma ação armada realizada no dia 26 de julho de 1953, com o fim de destronar o ditador Fulgencio Batista.
À propósito, em Cuba existem eleições sim. Para maiores informações peço que consultem os sites:
http://port.pravda.ru/mundo/24-04-2010/29404-eleicoes_cuba-0/,
http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&task=view&id=81&Itemid=39,
http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=23393


Hoje passeamos de Habana Bus Tour. É um ônibus com dois andares, sendo que o segundo andar é sem cobertura. O roteiro de hoje foi Centro de Havana e Prado. Descemos no Capitólio.

 
Em Cuba o trabalho é obrigatório, mas como em qualquer lugar do mundo nem todas as pessoas querem acordar às 7 horas da manhã, enfrentar um ônibus lotado e ir trabalhar. Por isso existem alguns cubanos que querem ganhar “dinheiro fácil”, abordando turistas. Alguns oferecem charutos (feitos de bananeira) e run. Outros indicam Paladares* e depois pedem que você pague uma “propina” (gorjeta). Mas são inofensivos. Basta que diga que já comprou, ou que simplesmente não quer e eles vão embora. Em nenhum momento demonstram comportamento violento ou intimidativo, muito pelo contrário são sempre seus melhores amigos. Hoje encontramos bastantes deles. Inclusive um, de nome Roberto que ficou amicíssimo do Ângelo (risos), nos levou até um “muquifo”. Uma espécie de favela. Não compramos nada e fomos liberados. Mas o que nos impressionou foi a limpeza do lugar. Era um lugar muito pobre, porém muito limpo. Não havia cheiros ruins nem valas, muito menos lixo. Sabem qual é o nome disso? EDUCAÇÃO. Um povo que tem educação não vive na sujeira, pois sabe que assim poderá pegar doenças.


Bom, deixando as discussões políticas de lado, vamos continuar o passeio. Claro que eu não poderia deixar de andar em Cuba com a camisa do Brasil! Tomamos um drink (Olha que chique) no La Floridita e ouvimos um pouco de música cubana. Andamos, andamos, andamos e encontramos o Museu da Revolução (fechado), o Hotel Inglaterra, Cinema Payret, Manzana de Gómez, Parque Central, Paseo Del Prado, Real Fábrica de Tabacos Partagás, Gran Teatro de La Habana.


À noite fomos ao Habana Café, que fica no Hotel Meliá Havana. Sensacional!!!!! Sabe aqueles cenários que só conseguimos ver em filmes? Era exatamente assim. A decoração era com objetos dos anos 60. Havia um avião da Cubana de Aviación na nossa cabeça. Os drinks e os Hambúrgueres vinham com guarda-chuvinhas, a música de fundo era Beatles, Bee Gees entre outros. Não pude tirar fotos do local pois a minha máquina foi considerada pelos seguranças como profissional e lá só podem ser usadas máquinas pequenas (mierda). Chegamos cedo para jantar, conforme indicava o guia da Maria, e ficamos aguardando o show. Tomei Pina Colada, daiquiri, Cuba Libre, enfim bebi todas (risos). Às 22 horas começou a seqüência de shows. Primeiro uma banda onde havia 3 sax, 3 trompetes, 1 trombone, bongó, baixo, bateria, percusão e piano. parecia que estava dentro de um filme só que melhor, em Cuba. Depois entrou um grupo chamado vocal voz. Muito bom também. Eram cinco rapazes cantando à capela, alias era mais do que isso só que eu não to conseguindo me expressar. A atração final foi um grupo de dançarinos composto por dois cantores, duas cantoras, três dançarinos e uma porrada de dançarinas. Espetacular. O ato final foi com uma homenagem à alguns países da América do Sul e como não podia deixar de ser, o final foi com uma homenagem, até bem grande, ao Brasil. Sensacional!!!!!!!!!!!

*Paladares são pequenos restaurantes privados. O nome foi tirado da novela brasileira Vale Tudo, em que a personagem de Regina Duarte abre um restaurante chamado “Paladar”. – Fonte: Guia Visual de Cuba da Folha de São Paulo.



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Primeiro dia em Cuba

Esta é a minha primeira experiência em viagens internacionais e confesso que estou um pouco assustada, insegura, principalmente por não falar a língua nativa.

Angelo fez cálculos de 2 horas a menos de diferença no fuso horário e colocou o despertador para 8 horas. Não sei por que ainda confio no Angelo (risos). A diferença de fuso é de apenas 1 hora a menos, pois nesta época do ano, em Cuba, é horário de verão. Um calor fora do comum. Com isso saímos tarde para nosso passeio.

O roteiro foi todo elaborado pelo Angelo, com base nos guias da Maria* e da Folha, que comprei no Rio. Só não contávamos com um detalhe: em Cuba era feriado de três dias devido ao 26 de julho. A data é tão importante para eles que as atrações turísticas estavam fechadas.

Caminhamos até a Plaza de La Revolucion (Praça da Revolução), e lá eu passei pelo primeiro perrengue. A praça não era muito perto de onde estávamos hospedados, e para piorar não seguimos as dicas dos guias, pois estávamos sem bonés, protetor solar e água. Após a emoção inicial e de tirar as fotos, Ângelo me vem com a feliz noticia de que estava se sentido “um pouco” mal. Que ótimo, eu sem saber falar espanhol, em um lugar sem nenhum comércio em volta e com um homem daquele tamanho passando mal. Graças a Deus achamos uma sombrinha e ele foi se recompondo aos poucos.
 
Susto passado, seguimos nosso caminho a pé. Eu tirando fotos de carros antigos e Ângelo maravilhado com o lugar. Enfim chegamos ao cemitério, que tem obras de artes lindas, e em uma rua onde haviam algumas “tiendas” (lojas), inclusive uma loja da adidas. Lá compramos os bonés, que vocês verão muitas vezes em fotos, protetor solar e água. 


 Hoje visitamos Praça da Revolução, Rua dos Presidentes, Rua das Embaixadas, Igreja do Sagrado Coração, Hotel Havana Livre e Hotel Nacional (foto abaixo).



Quando chegamos ao Hotel Nacional já estávamos esgotados e resolvemos pegar um Coco taxi para a casa. Aproveitamos para combinar o passeio da noite com ele, porém queríamos um taxi “de verdade”, pois o Ângelo não cabia direito no coco taxi (risos).

 
Descansamos um pouco e na hora combinada (19horas) o taxista estava em nossa porta. Sensacional!!!! (ainda vou dizer essa palavra muitas vezes). Tratava-se de um carro antigo conversível. Não acredito até agora que não tiramos fotos no carro. O “chofer” se chamava Ramon Juan e era uma figura. Até então eu parecia a verdadeira mudinha, mas entendia quase tudo, e nem isso Ramon deixou passar.

Fomos para o cañonazo. Trata-se de uma cerimônia que se realiza todos os dias, pontualmente às 21 horas, na Fortaleza de La Cabaña. Uma saraivada de tiros de canhão é desferida por um grupo de jovens soldados das Forças Armadas Revolucionárias, vestindo uniformes do século 18. No período colonial, davam-se tiros de canhão ao fim de cada dia para informar aos cidadãos de que os portões da cidade estavam fechados. Após o evento fomos até o restaurante Cañonazo e comemos Ropa Vieja (Roupa Velha), que nada mais é que carne refogada com arroz e feijão. Muito bom.

* Maria é uma brasileira apaixonada por Cuba e visita a Ilha duas vezes por ano. Ela tem uma comunidade no Orkut, onde ela dá dicas sobre lugares para visitar, como se comportar e o que fazer em Cuba.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Chegada em Cuba

COMO DISSE ANTES, OS POSTS REFERENTES À VIAGEM À CUBA SERÃO COLOCADOS POUCO A POUCO. ESSE É DO DIA 24/07 - NOITE.

Chegamos em Cuba por volta das 19h30min (horário local), porém, devido à burocracia da imigração, só saímos do aeroporto de José Mártir às 21 horas. 
 
Já estávamos nos sentindo melhor. Apesar de toda burocracia os cubanos são muito educados. Pegamos um taxi e fomos para a casa onde ficaríamos hospedados. Claro que não poderíamos perder a oportunidade de conversar mais uma vez com um taxista. O mesmo foi muito simpático, falou muito bem do seu país, mas não houve discussões políticas. Ficamos mais tranqüilos também quando o mesmo disse que poderíamos andar tranquilamente àquela hora da noite pelas ruas de Havana.

Chegando na casa fomos mais uma vez muito bem recebidos. Tudo muito bem limpinho, cheirosinho, organizado. Dona Hortência cuida muito bem de sua casa e de seus hóspedes. Tudo funciona da seguinte maneira: a D. Hortência tem uma licença do governo cubano para hospedar turistas em sua casa, para isso ela cumpre algumas exigências e paga algumas taxas.
Angelo achou que se ficássemos hospedados em uma casa sentiríamos mais a verdadeira Cuba. Por isso dispensamos hotéis.



A primeira impressão que tive foi de um país alegre, pois eram 22 horas e tinha muita gente na rua. Não vi mendigos nem pedintes, mas ainda era muito cedo para tirar alguma conclusão.

Agora um contra-senso. O primeiro refrigerante que tomei em Cuba foi Coca Cola (risos). Não preciso nem dizer que o Angelo ficou bastante contrariado.

Conversamos um pouco sobre os acontecimentos do dia (Aeroporto/Venezuela lembram?), e uma coisa boa posso tirar disso: o Angelo afirmou que a próxima viagem Internacional será através de uma agência de viagens. Gracias a Dios.