Decidi escrever um post especial para esta Senhora muito peculiar que nos hospedou em sua casa. Acorda bem cedo e logo pela manhã já está toda maquiada, cheirosinha e arrumadinha. Tem dois cachorros, uma fêmea e um macho, a fêmea sei que o nome é Nina já o macho nem desconfio. A comida dos cachorros é distribuída da seguinte forma, primeiro o frango ou carne, depois o leite e logo em seguida uma fruta. Depois escova o pêlo dos dois. Por mais incrível que pareça a casa da D. Hortência não tem cheiro de cachorro, alias nem parece que tem cachorros.
Sua casa é muito organizada e bonita. Os cômodos que hospedam os turistas ficam em um corredor na lateral da casa, por isso às vezes em que chegamos tarde tive a certeza de que não estávamos incomodando. Nestes momentos fiquei visualizando a entrada na casa da D. Hortência com as crianças. Nossa mãe!!! Acho que seriamos convidados a nos retirar no segundo dia (risos). O banheiro era compartilhado com outro quarto. Como este quarto ficou vazio nos dias em que estivemos hospedados, posso considerar que o banheiro era privativo.
No primeiro dia D. Hortência conversou conosco sobre o governo de Fidel (Raul Castro). Afirmou que a saúde e educação são muito boas, mas se queixou de ter que pagar 120 CUC (aproximadamente 120 dólares) para o governo todo mês referente à sua licença para hospedar turistas, mesmo que não tenha hóspedes. Ora D. Hortência, imagina se a Senhora tivesse que pagar 27,5% do seu salário e ainda ter que pagar a escola das crianças, plano de saúde, pedágio em estradas, segurança da rua, enfim, deu pra entender né?
Quanto ao seu espanhol, até que eu conseguia entender. Bom, só até a 2ª marcha. Porque quando ela engatava a 5ª... putz sai de baixo... nem o Angelo entendia...
Para o padrão cubano D. Hortência até que tem alguns privilégios. Uma casa grande onde pode hospedar turistas e assim ganhar seu dinheiro, uma empregada doméstica, um carro (antigo e parado na garagem, mas é um carro) e compra flores toda semana. Ela foi casada com assessor de um militar, que morreu há cinco anos, por isso tinha algumas regalias. Ele era estrangeiro e tinha passaporte da comunidade européia e isso também era estendido a ela, que podia viajar e visitar sua irmã que morava na Espanha. Hoje, para sair de Cuba, ela precisa aguardar autorização do Governo e pagar duas taxas de aproximadamente 130 CUC cada. Essa é a parte do regime de Fidel que não concordo. Não estou me referindo à taxa, mas ao direito de ir e vir.
Na verdade D. Hortência não é diferente de muitas senhoras que conheço e reclamam de barriguinha cheia. Mas ela é um docinho e vale à pena se hospedar na casa dela. A nossa diária ficou em 30 CUC mais 4 CUC pelo desayuno (café da manhã), totalizou 190 CUC a semana toda. Nada mal né?
Nenhum comentário:
Postar um comentário